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Xô, indisciplina!
Fonte:
09/12/2009

Brigas, confusões, conversas durante a aula, rabiscos e descuido com os móveis da escola. Talvez você não faça isso, mas certamente conhece colegas de sala que fazem parte deste grupo que atrapalha todo o rendimento das atividades escolares. A indisciplina é um dos principais problemas enfrentados em todas as escolas do Brasil. Além de tornarem o ambiente infeliz e violento, dificulta o aprendizado de toda a turma. Em entrevista à Revista Integração, a psicopedagoga Maria Alice L. Pinto, responsável pela direção e coordenação do site “Psicopedagogia Online” (www.psicopedagogia.com.br) conta que diminuir os índices de indisciplina dentro das escolas é um esforço diário, feito entre pais, alunos e funcionários da escola. Segundo ela, a escola não pode ser autoritária com seus alunos, mas deve mostrar que tem autoridade. E os alunos devem entender que, quanto mais disciplina e respeito, melhor fica o ambiente da escola. Afinal, ninguém quer viver brigando, não é mesmo? 1- Muitas pessoas são saudosistas e afirmam que "no passado não havia problema de indisciplina dentro da escola". Por que, então, estes problemas surgiram? Foi a escola que deixou de ser autoritária ou foi o aluno que mudou? A escola do passado controlava a disciplina fazendo uso do autoritarismo e arbitrariedade, algo que não cabe nos dias de hoje, a disciplina era mantida nos moldes da ditadura. O mundo mudou, vivemos a era da tecnologia e da globalização junto a isso as gerações mudaram, suas necessidades e valores são muito diferentes das nossas, dos nossos pais e dos nossos filhos. Com o tempo a escola mudou e a adoção de novas metodologias tornou-a mais democrática proporcionando um espaço de discussão e participação dos alunos e da família. Nesse ambiente podemos afirmar que quando o problema da indisciplina na escola é coletivo, há algo errado nessa instituição e então é preciso repensar suas práticas pedagógicas. 2- Quais são os principais problemas enfrentados hoje na escola em relação a isso? A principal consequência da indisciplina são os problemas que inviabilizam a prática educacional causando baixo desempenho da aprendizagem desmotivando o professor e desgastando as relações entre professor-aluno-escola-família. 3- Quais são as estratégias lançadas pelos professores que podem acabar com este problema? Não há uma receita ou estratégias claras, mas em princípio, o professor deve deixar claro sua autoridade, mostrar que existe uma questão hierárquica, pois o jovem de hoje tende a se colocar de igual para igual, principalmente quando lhe é dada essa “sinalização”, e então propor maior participação através de atividades, conversar com o(s) aluno(s) e ouvi-lo(s), fazer acordos saudáveis e não chantagem. 4- Investir em aulas interativas é uma boa saída? Sem dúvida as aulas interativas são mais atraentes, facilitam a aprendizagem, socializam, estimulam atitudes proativas e desenvolvem o raciocínio de forma prazerosa entre outros benefícios desde que a intenção e a intervenção do professor objetivem a troca e o estímulo ao aprendizado. 5- O bullying, as brincadeiras de mau gosto entre alunos, é uma prática antiga, que causa muitos traumas na vítima. Quais são estes traumas? Como identificar e evitar esta prática? Os traumas da vítima de bullying normalmente são a baixa autoestima, o baixo rendimento escolar, a ansiedade patológica, a agressividade e depressão, que poderão ser emocionalmente devastadores para a vida toda. Os autores do bullying também sofrem consequências graves como comportamento antissocial, atitudes agressivas, uso de drogas, etc. Para identificar esses sintomas os professores e pais deverão estar atentos. Observar quando o que parece ser brincadeira torna-se uma prática frequente, quando a vítima é ridicularizada, apresenta irritabilidade, tristeza e comportamentos antissociais. 6- Atualmente, os valores na escola estão invertidos? Os valores mudam porque a sociedade evolui, criam-se novos valores e outros são abandonados, por não fazerem mais sentido. A consciência ambiental, a família, a virgindade, o trabalho da mulher fora de casa, a divisão de tarefas entre marido e mulher tinham outro peso na geração passada. Na escola isso também aconteceu, e hoje não "damos um corretivo" batendo com a palmatória nas mãos do aluno ou fazendo-o ajoelhar sobre milho, quer dizer, pelo menos eu não tenho notícias desse tipo de educação. Continuará sendo papel da família e da escola a formação de valores e o desenvolvimento de valores éticos e a promoção de relações de aprendizagem e de conhecimento. Não creio que os valores estejam invertidos, mas sim que não estão claros. Quando estabelecermos regras e limites de forma clara e explícita as relações serão absolutamente saudáveis

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